CEIF - Centro Espiritualista
Irmãos de Fé
Palestra 1 - Nascimento da Umbanda
No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos.  
 
Esses "ataques" do rapaz, eram  caracterizados  por  posturas de um  velho, falando  coisas  sem  sentido e desconexas,  como  se  fosse  outra  pessoa  que  havia  vivido  em  outra  época.  Muitas  vezes assumia uma forma  que  parecia  a  de  um  felino  lépido  e  desembaraçado  que  mostrava  conhecer muitas coisas da natureza.  Após  examiná-lo  durante  vários  dias,  o  médico  da  família  recomendou  que seria melhor encaminhá-lo  a um  padre, pois o médico (que  era tio do paciente), dizia  que  a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava “endemoniado”. 

Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza.  
 
No  dia  15  de  novembro,  o  jovem Zélio  foi  convidado  a  participar  da  sessão,  tomando  um  lugar  à mesa. Tomado  por  uma  força  estranha  e  alheia  a  sua  vontade,  e  contrariando  as  normas  que impediam  o afastamento  de  qualquer  dos  componentes  da  mesa, Zélio  levantou-se  e  disse:  "Aqui está  faltando  uma flor".  Saiu  da  sala  indo  ao  jardim  e  voltando  após  com  uma  flor,  que  colocou  no centro  da  mesa.  Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes.  
 
Restabelecidos  os  trabalhos,  manifestaram-se  nos  médiuns  kardecistas  espíritos  que  se  diziam pretos escravos  e  índios.  O  diretor  dos  trabalhos  achou  tudo  aquilo  um  absurdo  e  advertiu-os  com aspereza, citando o "seu atraso espiritual" e convidando-os a se retirarem. 
 
Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou:  
"Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. 
Será por causa de suas origens sociais e da cor ?"  
 
Seguiu-se um diálogo acalorado e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.  
 
Um médium vidente perguntou:  
"Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, 
pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?” 
 
"Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados. O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro." 
 
Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:  
"Se  julgam  atrasados  os  espíritos  de  pretos  e  índios,  devo  dizer  que  amanhã  (16  de  novembro) estarei  na  casa  de  meu  aparelho,  às  20  horas,  para  dar  início  a  um  culto  em  que  estes  irmãos poderão  dar  suas  mensagens  e,  assim,  cumprir  missão  que  o  Plano  Espiritual  lhes  confiou.  Será uma  religião  que  falará  aos  humildes,  simbolizando  a  igualdade  que  deve  existir  entre  todos  os irmãos, encarnados e desencarnados.”  
 
O vidente retrucou:  
"Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto?” perguntou com ironia.  
 
E o espírito já identificado disse:  
"Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei". 

Para finalizar o caboclo completou: 
"Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso  ou  humilde,  todos  se  tornariam  iguais  na  morte,  mas  vocês,  homens  preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do  espaço,  se  apesar  de  não  haverem  sido  pessoas  socialmente  importantes  na  Terra,  também trazem importantes mensagens do além?" 
 
No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada,  20:00,  lá  já  estavam  reunidos  os  membros  da  Federação  Espírita  para  comprovarem  a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado  de  fora,  uma  multidão  de  desconhecidos.  Às  20:00  h,  manifestou-se  o  Caboclo  das  Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos  remanescentes das  seitas  negras,  já  deturpadas  e  dirigidas  em  sua  totalidade para  os  trabalho de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.  
 
O Caboclo  estabeleceu as normas em que  se processaria o  culto.  Sessões, assim seriam  chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de branco  e  o  atendimento  seria  gratuito.  Deu,  também,  o  nome  do  Movimento  Religioso  que  se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.  
 
A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim  como  Maria  acolheu  o  filho  nos  braços,  também  seriam  acolhidos  como  filhos  todos os  que necessitassem de ajuda ou de conforto.  
 
Nesse  mesmo  dia  incorporou  um  preto  velho  chamado  Pai  Antônio,  aquele  que,  com  fala  mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras: 
 
"Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá. Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nego." 
 
Uma  pessoa  na  reunião  pergunta  se  ele  sentia  falta  de  alguma  coisa  que  tinha  deixado  na  terra  e ele responde: 
"Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca." 
 
Tal  afirmativa  deixou  os  presentes  perplexos,  os  quais  estavam  presenciando  a  solicitação  do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antonio". 
 
A  partir  daí,  o  Caboclo  das  Sete  Encruzilhadas  começou  a  trabalhar  incessantemente  para  o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia. 
 
Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: (1) Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; (2) Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; (3) Tenda Espírita Santa Bárbara; (4) Tenda Espírita São Pedro; (5) Tenda Espírita Oxalá, (6) Tenda Espírita São Jorge; e (7) Tenda Espírita São Gerônimo.  

Enquanto  Zélio  estava  encarnado,  foram  fundadas  mais  de  10.000  tendas  a  partir  das 
mencionadas.  
 
Embora  não  seguindo  a  carreira  militar  para  a  qual  se  preparava,  pois  sua  missão  mediúnica  não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete 
Encruzilhadas fundou.  
 
A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa  o fato de naquela época não se poder registrar o  nome Umbanda, e quanto  aos nomes de santos,  era  uma  maneira  de  estabelecer  um  ponto  de  referência  para  fiéis  da  religião  católica  que procuravam os préstimos da Umbanda. O  ritual  estabelecido  pelo  Caboclo  das  Sete  Encruzilhadas  era  bem  simples,  com  cânticos  baixos  e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas.
 
Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos  ambientes  vibratórios  da  natureza,  a  par  do  ensinamento  doutrinário,  na  base  do  Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.  
 
Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das  Sete  Encruzilhadas,  mas  a  Tenda  Nossa  Senhora  da  Piedade  não  utiliza  em  seu ritual  até hoje.  
 
Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual 
em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuam em ação através de suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, que têm em  seus corações um grande amor pela Umbanda, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los. 
Palestra 2 - Umbanda e suas origens
Após  a  Anunciação  da  Umbanda  no  plano  físico  sob  a  forma  de  religião,  vale  repensar  sobre  os precedentes religiosos e culturais que propiciaram o surgimento desta.  
 
Em 1500, os Portugueses ao desembarcarem por aqui encontraram uma terra de belezas deslumbrantes e já habitada por nativos. Os primeiros contatos entre os dois povos foram, na sua maioria, amistosos. Porém, o  tempo  e  a  convivência  se  encarregaram  em  mostrar  aos  habitantes  de  Pindorama  (nome indígena  do Brasil) que os homens brancos estavam ali por motivos pouco nobres. O relacionamento, até então pacífico, começa a se desmoronar como um castelo de areia. São inescrupulosamente escravizados e forçados a trabalhar na lavoura. Reagem, resistem, e muitos são ceifados de suas vidas em nome da liberdade.
  
Mais  tarde,  o  escravizador  faz  desembarcar  na  Bahia  os  primeiros  negros  escravos que,  sob  a força do chicote, são despejados também na lavoura. Como os índios, sofreram toda espécie de castigos físicos e morais, e até a subtração da própria vida. Índios e negros, unidos pela dor, pelo sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e encarnavam nas Terras de Santa Cruz.  
 
As  crianças,  índias  e  negras,  também  fizeram  parte  dessa  história  escura  da  nossa  terra.  Meninas não serviam  ao  trabalho  pesado  e  para  não  comerem  o  alimento  dos  que  trabalhavam,  eram mortas  sem compaixão. Doenças, torturas, revolta, também finavam esses inocentes, tanto meninos, como meninas.
 
Apesar  de  todo  esse  sofrimento,  apesar  de  toda  essa  opressão,  esses  povos  de  Terras  tão distantes, conseguiam sobreviver a todas essas mazelas. Motivo? A religiosidade.  

Tanto os Africanos como os Indígenas cultuavam e tinham na religião os seus maiores valores. Numa união cármica,  espíritos  infantis,  negros  e  índios,  formaram  o  que  hoje  chamamos  de  Trilogia Cármica da Umbanda.  
 
Trabalhando no plano astral ou como encarnados, estes espíritos lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco, e fazer com que seus irmãos de raça se livrassem do rancor, do ódio, e do sofrimento que lhes eram infligidos.  
 
Misturado  a  todos  esses  acontecimentos,  a  igreja católica,  preocupada  com  a  expansão  de  seu domínio religioso,  entendeu  que  a  expansão  dos  domínios  de  Portugal  e  Espanha  abriam  novas oportunidades. 

Investiu pesado. Muitas comitivas sacerdotais são enviadas, com o intuito "nobre" de "salvar" a alma dos nativos e dos africanos. Surge o movimento de “Catequese”, em alguns momentos, tão violento quanto os trabalhos na lavoura, sendo o único objetivo, eliminar as religiosidades nativas e introduzir o Catolicismo. Não conseguiram. 
 
Numa  ação  de  preservação  e  em  defesa  da  cultura  e  da  religiosidade,  os  negros  “esconderam” seus Santos,  Orixás,  “atrás”  das  imagens  dos  santos  católicos.  A  esta  associação,  deu-se  o  nome de "Sincretismo Religioso". Assim conseguiram burlar a opressão religiosa e continuaram a praticar o culto as forças da natureza.  
 
Os anos sucedem-se, os trabalhos realizados no plano espiritual começam a influenciar os encarnados e as primeiras “boas” ações começam a surgir no plano terrestre. 
 
Na Europa, através dos estudos do professor Rivail que mais tarde veio a adotar o codinome Allan Kardec, começam a ser respondidas algumas questões ainda sem respostas. Surge o movimento Kardecista, sua “Codificação”, “O livro dos Espíritos”, isso em 1857. 
 
Por aqui, a Abolição da escravatura ganha importância e em 1888 é assinada a "lei áurea" pela Princesa Isabel. A libertação é feita, porém os escravos são abandonados à própria sorte. Não existe um programa governamental de inserção social. Os negros saem da senzala para a total miséria. Na parte religiosa, sem a  opressão  direta  dos  escravocratas  e  na  miséria,  os  cultos  religiosos  dos  escravos  passam  a  ser direcionados ao mal, a vingança e ao desejo de desgraça do homem branco.   

No  campo  astral,  os  espíritos  que  tinham  tido  encarnação  como  índios,  caboclos,  mamelucos, cafuzos, mulatos e negros, trabalhadores incansáveis do bem, passam a não ter campo de atuação. O catolicismo, religião de  predominância  na  época,  repudiava  a  comunicação  com  os  mortos.  O espiritismo  Kardecista, rico em Doutrina e Literatura, não reconhecia a força desses trabalhadores e reverenciava as comunicações de espíritos com o rótulo de "doutores".  
 
Assim, Os Orixás, Senhores da Luz, atentos ao cenário existente, por ordens diretas do Cristo Planetário, Jesus, estruturaram aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade que quisessem praticar a caridade. Independentemente das origens terrenas e de suas encarnações. Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda.  
 
Pronto. Tudo estava pronto para que no dia 15 de Novembro de 1908 fosse anunciada a Umbanda Sagrada (Ref. 1ª Palestra – Nascimento e Início da Umbanda) 
 
No início do século XX, o choque entre a cultura “europeizada” das elites e a cultura das classes populares urbanas, provocou o surgimento de duas tendências religiosas na cidade do Rio de Janeiro. Na elite branca e na classe média vigorava o catolicismo; nos pobres das cidades (negros, brancos e mestiços) era grande a  presença  de  rituais  originários  da  África  que,  por  força  de  sua  natureza  e  das perseguições  policiais, possuíam um caráter reservado.  
 
No ano de 1904, surge o livro Religiões do Rio, elaborado por "João do Rio", pseudônimo de Paulo Barreto, membro  emérito da  Academia  Brasileira  de  Letras.  Neste,  o  autor  faz  um  estudo  sério  e inequívoco  das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro sócio-político-cultural do Brasil. O escritor, no intuito de levar ao conhecimento da sociedade os vários segmentos de religiosidade que se desenvolviam no então Distrito Federal, percorreu igrejas, templos, terreiros de bruxaria, macumbas cariocas, sinagogas, entrevistando pessoas e testemunhando fatos.  Não obstante tal obra ter sido pautada em profunda pesquisa, em nenhuma página desta respeitosa edição cita-se o vocábulo Umbanda, pois tal terminologia era desconhecida até então. 
 
Na segunda metade deste século, os cultos de origem africana passaram a ser freqüentados por brancos e mulatos oriundos da classe média e algumas pessoas da própria elite. Isto contribuiu, sem dúvida, para o caráter aberto e legal. 
 
Conclusão 
 
A Umbanda não tem, um órgão centralizador, que dite normas e conceitos sobre a religião ou possa coibir os abusos. Por isso cada  terreiro segue um ritual próprio, ditado pelo guia chefe do terreiro, o que faz a diferenciação de ritual entre uma casa e outra. Entretanto, a base de todo terreiro tem que seguir o principio básico do bom senso, da honestidade e do desinteresse material. 
 
Ao contrário de outras religiões, a Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz  de  adotar  novos  elementos.  Assim  o  elemento  negro  trouxe  o  africanismo  (nações);  os índios trouxeram  os  elementos  da  pajelança;  os  europeus  trouxeram  o  Cristianismo  e  o  Kardecismo;  e, posteriormente, os povos orientais acrescentaram um pouco de sua ritualística à Umbanda.  
 
Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Branca, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida das pessoas, para praticar o bem e nunca de prejudicar quem quer que seja.  
Palestra 3 - Os Orixás (Introdução)
ENERGIA, MATÉRIA, EQUILÍBRIO

O planeta em que vivemos se mantêm através do equilíbrio entre as energias da natureza.  A harmonia só é possível devido a um intrincado jogo energético entre os elementos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas. 
 
O  homem  convive  com  Leis  desde  sua  origem  e  evolução.  Leis  que  mantêm  a  vitalidade,  a criação e  a transformação,  dados  essenciais  à  vida  como  a  vemos  desenvolver-se  a  cada  segundo.  Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos. Vide a destruição da camada de ozônio pela poluição que criamos, o conseqüente descongelamento das grandes massas de gelo dos pólos e por aí vai... 
 
O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos. 
 
O QUE É UM ORIXÁ? 
 
Acreditamos  que  esses  elementos  e  suas  ramificações  são  comandados  e  trabalhados  por Entidades Espirituais  que  vão  desde  os  Elementais,  até  aos  Espíritos  Superiores  que  inspecionam, comandam e fornecem  o  fluido  vital  para  o  trabalho  constante  de  CRIAR,  MANTER  e TRANSFORMAR  a  dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.  
 
A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS. Vocábulo de origem Yorubana que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ). 
 
Na Umbanda, os Orixás são tidos como Espíritos de alta vibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com que Suas Leis sejam cumpridas constantemente. 
 
COMO ELES ATUAM? 
 
Além  dos  espíritos  amigos  que  se  empenham  em  nossa  vigilância  e  auxílio  moral,  contamos  com um espírito  da  natureza,  um  Orixá  pessoal  que  cuida  do  equilíbrio  energético,  físico  e  emocional  de nossos corpos físicos.  
 
Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Ao Regente dessa energia predominante, denominamos de nosso Orixá pessoal, "Chefe de Cabeça", "Pai ou Mãe de Cabeça", ou o nome esotérico "ELEDÁ".    
 
A  forma  como  nosso  corpo  reage  às  diversas  situações  durante  esta  encarnação,  tanto  física quanto emocionalmente,  está  ligada  ao  “arquétipo”,  ou  à  personalidade  e  características  emocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.   
 
Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio. Tendo concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico.  
 
Esta  tarefa  é  entregue  aos  poderosos  Espíritos  da  Natureza,  sendo  que  um  deles  assume  a responsabilidade  dessa  tarefa,  fornecendo  a  essa  forma  as  energias  necessárias  para  que  o  feto se desenvolva, para que haja vida. A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela  vibração  original.  Assim  surge  o  ELEDÁ  desse  novo  ser  encarnado,  que  é  a força  energética primária e atuante do nascimento. 
 
Nesse  período,  os  Elementais  trabalham  incessantemente,  cada  um  na  sua  respectiva  área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etérico e corpo denso. 
 
Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio.  A  partir  daí  essa  energia  passa  a  atuar  de  forma  mais  discreta,  obedecendo  a  esta Lei, sustentando-lhe,  contudo,  a  forma  e  energia  material  pela  contínua  manutenção  e transformação,  no sentido de manter-lhe a existência. 
 
A cada reencarnação, de acordo com nossas necessidades evolutivas e carmas, somos responsáveis por diferentes corpos, e para cada um destes, podemos contar com o auxílio de um Espírito da Natureza, um Orixá protetor.  
 
AFINIDADES 
 
Os  filhos  de  fé  não  recebem  influências  apenas  de  um  ou  dois  orixás.  Da  mesma  forma  que  nós não ficamos  presos  à  educação  e  à  orientação  dos  nossos  pais,  não  ficamos  também  sob  a  tutela de  nosso orixá de frente. 
 
Freqüentemente recebemos influências de outros orixás, como se fossem professores, avós, tios, amigos mais próximos na vida material. O fato de recebermos estas influências, não quer dizer que somos filhos ou afilhados desses orixás; trata-se apenas de uma afinidade espiritual. 
 
Uma pessoa, às vezes, não se dá melhor com uma tia do que com uma mãe?  
 
Assim também é com os orixás. Podemos ser filhos de Ogum ou Oxum e receber mais influências de Xangô ou Iansã. Posso ser filho de Obaluaiê e não gostar de trabalhar com as suas entidades, linha das almas, preferindo trabalhar com entidades de cachoeiras. 
 
O importante é que nos momentos mais decisivos  de nossas vidas,  suas  influências  benéficas  se façam
presentes, quase sempre uma soma de valores e não apenas individualmente, a característica de um único orixá. 
 
NA UMBANDA 
 
No culto Umbandista os Orixás não são incorporados.   
 
O que se  vê dentro dos vários terreiros,  centros, tendas etc., são os falangeiros dos Orixás, espíritos de grande luz que vem trabalhar sob as Ordens de um Orixá. Os Falangeiros incorporam em seus “cavalos” e 
mostram sua presença e sua força em nome de um determinado Orixá. 
 
ORIXÁS CULTUADOS NA UMBANDA E SEUS ELEMENTOS PRIMORDIAIS 
 
ORIXÁS       ELEMENTO  RAMIFICAÇÃO       SAUDAÇÃO 
Oxalá           Ar                    Ar                               Epa babá 
Iemanjá       Água              Salgada                    Odô Yá 
Nanã            Água             Chuva                        Saluba Nanã 
Oxum           Água              Doce, Cachoeiras  Ora Yeyê-ô 
Ogum           Fogo              Ígneo                        Ogum Yê 
Ibeji              Fogo              Purificador               Oni Ibejada 
Xangô          Fogo              Elétrico                     Kaô Cabecile 
Iansã            Fogo              Emoções                  Eparrei Oyá 
Oxossi         Terra               Fauna                       Okê Arô 
Obaluaiê     Terra              Transformação        Atotô